Quando eu quis falar…

Hoje, talvez não caiba à mim encontrar o paradeiro desse romance perdido. Sobretudo, ainda não consegui compreender a minha pueril desatenção quando por entre os dedos, como areia, não te vi escapar.

Palavras e pedidos que  me saltaram da língua, mas pararam entre os dentes. Ficaram presas por um pedido seu. Me lembro o quanto me afoguei com aquelas lágrimas que batizei com o seu nome… Era a dor e inquietação a cada soluço… Era a indignação por um sentimento que estava sendo forçada a reprimir. Era o fim dos planos que haviamos projetado para nós dois. Era eu sem você.

O fim de nós dois me consumiu noites em claro, notas ruins na faculdade… O fim de nós dois era inadmissível. Mas para mim restava apenas engolir as lágrimas e o soluço interminável em um dia-após-o-outro.

Te ver constantemente e ter que consentir com sua estranheza, com o distanciamento que você havia proposto, era para mim como um castigo. Eu tentava me refugiar em palavras de consolo e o que eu mais escutava era: “Passará.”

Inverdade. (eu achava)

Entretanto, as suas verdades me corroiam as entranhas. Eram os seus dias…Eram as verdades de sua vida atual que me perfuravam como uma estaca afiada.                       A constatação de suas verdades aconteceram numa velocidade, que à princípio desacreditei. Achei que fosse pirraça, uma maneira de querer chamar minha atenção… Mas não. Lá estava você no tempo infindável de meu luto, com sua intolerável verdade, que eu, ingenuamente neguei que pudesse acontecer…

Sua verdade dourada, brilhando em sua mão esquerda.

Eu estava só, ainda. Não permiti que ninguém se aproximasse… Não permiti à niguém beijar a boca que eu ainda considerava sua. Você, com certeza não sabia disso… Assim como não sabia da coleção de seus e-mails que eu ainda lia, dia-após-dia, como uma recordação dos nossos bons momentos. Era a doce e trágica fantasia que eu teimava em cultivar.

Justa. Respeitei e ainda o faço, sua nova posição… Naquela época procurei rabiscar sorrisos aparentes em minha cara, cada vez que te via…

Que cabimento tem esse texto, depois de ter tido essas feridas cicatrizadas, ao longo dos anos?  Nenhum.

Achei válido estampar, ainda que despretenciosamente, algo que me consumiu durante tantos anos, quando eu não conseguia falar:

“Seja feliz, querido.”

and so it is.

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5 respostas em “Quando eu quis falar…

  1. O tempo tem a resposta, sempre!
    E ver tão bem estampadas suas palavras,
    mostra mais uma vez
    como é correto isso.
    Mais do que isso,
    revela a força que você
    emana para todos!

  2. Olà Beldade !!! nossa q lindas fotos eh fikei surpreso ta sempre gatinha carismatica . cuidate bastante e sucesos milhoes de beijos Xuxu!!!
    Millersinho!!!!!!!!!!!!!!! desde Perù-

  3. Dizem que o tempo apaga tudo !!!
    Hum… discordo, pois se o tempo apagasse mesmo, ao ouvirmos uma canção ela não nos remeteria ao passado com tal intensidade, com tal poder de nos fazer reviver cada detalhe, cada gesto, cada palavra dita.
    Acho que o que fica mesmo é sempre a pergunta:
    “Se ? ”
    se tivessemos trilhado os mesmos caminhos,
    se tivesse feito outras escolhas,
    se tivesse ficado,
    se tivesse partido”
    Isso nunca vamos saber, vai sempre martelar em nossas cabeças o ” se”.
    Então não há remédio para esse mal, e nem respostas pra essas perguntas, o que resta apenas é seguir em frente e tirar alguma lição do que foi realmente bom.

    Margareth Catherine

  4. Como são longos e intermináveis os dias e meses, quando algo que não podiamos imaginar ou cenceber, se torna realidade.
    As centenas de horas que gastamos revisitando lugares iluminados por onde passamos e que tornatam-se sombrios, parece que jamais terão fim.
    E de repente mas não logo, o tempo, senhor justo que concede sabedoria
    aos que tem paciência, ensina lições e fecha feridas, deixando só as marcas que ostentamos num lugar tão escondido e exclusivo.
    Mais que isso, nos dá forças incríveis pra que nosso pensamento adentre sabia, educada e elegantemente em territórios antes hostís.
    Quão vasta e imprevisível é a experiência humana.

    Gostei muito Natty, novamente.
    Beijos e até mais.

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