Na intenção de encontrar do lado esquerdo, um coração que faça par com o meu…

Foi quando perdi a literatura romancista, nebulosa, intitulada expectação, que compreendi que era momento de escrever. Por esses dias você me pediu algo que julguei justo, mas depois de juntar quebra-cabeças dentro de mim, me veio a hesitação combinada a dúvida: Para quê qualquer tipo de aproximação agora? E agi assim: egoísta, como você agiu, com a dissemelhança que lhe dei tempo de pensar no por quê da minha apatia. Mas este teatro de esconderijo, ainda que justo ou injusto não combina nem de longe comigo, por isso optei por me desarmar. Te digo, apenas, que cansei de desalinhar minha calma na intensão de entender o que você sobriamente intitula: “sua razão”. Quero apenas lhe impor um conselho, se me permite, querido: considere a arte de pensar antes de qualquer resolução. O contrário, poderá custar o tempo e um coração.

Naquele mesmo dia a minha compreensão: não importa o tamanho da poça d’água que eu encontre pela frente, é preciso antes calcular o tamanho do meu pulo.

Anúncios

Quando eu quis falar…

Hoje, talvez não caiba à mim encontrar o paradeiro desse romance perdido. Sobretudo, ainda não consegui compreender a minha pueril desatenção quando por entre os dedos, como areia, não te vi escapar.

Palavras e pedidos que  me saltaram da língua, mas pararam entre os dentes. Ficaram presas por um pedido seu. Me lembro o quanto me afoguei com aquelas lágrimas que batizei com o seu nome… Era a dor e inquietação a cada soluço… Era a indignação por um sentimento que estava sendo forçada a reprimir. Era o fim dos planos que haviamos projetado para nós dois. Era eu sem você.

O fim de nós dois me consumiu noites em claro, notas ruins na faculdade… O fim de nós dois era inadmissível. Mas para mim restava apenas engolir as lágrimas e o soluço interminável em um dia-após-o-outro.

Te ver constantemente e ter que consentir com sua estranheza, com o distanciamento que você havia proposto, era para mim como um castigo. Eu tentava me refugiar em palavras de consolo e o que eu mais escutava era: “Passará.”

Inverdade. (eu achava)

Entretanto, as suas verdades me corroiam as entranhas. Eram os seus dias…Eram as verdades de sua vida atual que me perfuravam como uma estaca afiada.                       A constatação de suas verdades aconteceram numa velocidade, que à princípio desacreditei. Achei que fosse pirraça, uma maneira de querer chamar minha atenção… Mas não. Lá estava você no tempo infindável de meu luto, com sua intolerável verdade, que eu, ingenuamente neguei que pudesse acontecer…

Sua verdade dourada, brilhando em sua mão esquerda.

Eu estava só, ainda. Não permiti que ninguém se aproximasse… Não permiti à niguém beijar a boca que eu ainda considerava sua. Você, com certeza não sabia disso… Assim como não sabia da coleção de seus e-mails que eu ainda lia, dia-após-dia, como uma recordação dos nossos bons momentos. Era a doce e trágica fantasia que eu teimava em cultivar.

Justa. Respeitei e ainda o faço, sua nova posição… Naquela época procurei rabiscar sorrisos aparentes em minha cara, cada vez que te via…

Que cabimento tem esse texto, depois de ter tido essas feridas cicatrizadas, ao longo dos anos?  Nenhum.

Achei válido estampar, ainda que despretenciosamente, algo que me consumiu durante tantos anos, quando eu não conseguia falar:

“Seja feliz, querido.”

and so it is.