Abraço

abraço
junta
pedaços.
já não há mais dor,
há amor e
abraço.
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Sequer Imaginado

Se você não fosse abstruso demais

para tornar-se ao menos um instante,

o amor desse amor, que antes de te conhecer, eu não cheguei a ter.

Se você não fosse abstruso demais,

Se você ousasse imaginar o que poderíamos ser

Se você soubesse quanto,

Se você pudesse ver dentro

Talvez veria,

eu, você,

os livros,

os filhos,

o riso,

o conciso, ganhando mais colorido

sequer imaginado por qualquer um de nós.

Se você não fosse abstruso demais,

talvez provaria o que antes de te conhecer, eu nem ousei ser.

 

(baseado na canção de Caetano Veloso – Amor mais que discreto) https://m.youtube.com/watch?v=FohCXhLH50g

Sobre você num versinho

É que a tua voz, moça, é calma e me encanta e, é aí, exatamente no espaço entre uma palavra e outra que sai de você que eu me encontro. Aí, você sabe, eu não me seguro e seguro tento te mostrar que posso ser mais do que seu amigo.

Você diz que tem alergia da minha barba, então, te ligo de madrugada pra te falar que me barbeei por você.

Aí te envio uma foto, duas, três, pra você querer me ver. Mas você me escapa.

Você duvida de mim e diz que somos diferentes,

Mas ai, de repente, eu consulto teu signo e te provo que na astrologia meu signo combina com o seu. Você ri, faz que não entende e finge que não sente que meu coração é teu.

Deixo o elevador e vou de escada pra poder andar, assim, bem de pertinho e te arrancar um sorrisinho com alguma coisa engraçada que eu disser,

Faço um monte de graça de pirraça.

É que teu encanto, moça, faz de mim um menino,

e, então eu musico baixinho, alguma rima pra você…

Dezembro

Já repararam que mês de Dezembro é diferente?

Tem cheiro o mês de Dezembro…

Dezembro tem cor, tem música, tem luzes por toda parte.

Em Dezembro há luzes dentro de mim… Dezembros me fazem lembrar de tudo que passei no ano. Em Dezembros passados. Em Dezembros que não se passaram, pois todos os Dezembros ficam.

São mágicos, porque são capazes de permanecerem ao irem embora.

São capazes de voltar do mesmo jeito que se foram, com o mesmo tom, as mesmas emoções e as mesmas luzes. Com as mesmas músicas e os mesmos sorrisos. Com a mesma ternura.

Dezembro é o meu mês!

É o mês que comemoro a minha eterna saudade dele,

deste mês que demora onze meses para nascer e vai embora depressa, levando o meu desejo de continuar nele por mais trinta dias, que seja…

Não é possível que não possa ficar por mais um dia, por uma hora sequer.

Ele vai e leva consigo a sua urgência em partir.

Em sua racionalidade me deixa um novo ano todo cheio de serás e por quês.

A única certeza agora é que depois de mais algum tempo ele chegará de novo; encantado e encantando.

Magico e colorido.

Com aquela mesma alegria grudada no peito, sem forças para alcançar o destino.

Com aquele mesmo vento que nasce do pulmão e ganha cor na altura da voz.

Com aquele mesmo sol, naquele mesmo lugar de sempre.

Com aquela mesma nuvem ao entardecer.

Naquele mesmo ritmo e naquela mesma vontade de ser pra sempre o grande mês da minha vida.

Dezembro, como gosto de você.

Eu, você…

Sonhos, são pequenos cenários de lugares onde desejamos, ou imaginamos estar.
Quando te dei meus sonhos, planejei e desejei estar com você nesse cenário, para viver parte desses sonhos e com você inventar o restante.
Inventar com as cores, sabores e os sons que só existem quando você está bem pertinho.
Hoje encontrei seu nome em um desses pequenos cenários.
Faltava a cor, o sabor e o som.

Me perguntei, por fim: Para onde será que levam os sonhos que não podemos mais sonhar?

Sobre a visita.

 
O vizinho, aturdido pela falta do barulho avassalador, procurou-me ainda por essa madrugada.
Reclamou.
Disse não gostar da ausência do tresvario, da música alta, dos poemas intermitentes, dos suspiros enlouquentes, da lua, da chuva, do vinho, de nós dois.
Perdeu a calma.
Eu lhe respondi que faltava  inspiração.
Mas prometi que não tardava chegar.
Ele, em sua avidez, prometeu esperar.

Passa.

Hoje não estou para ninguém. É melhor.
A sós com o silêncio, que não propõe solidão; um tênue vazio, camuflado por questões insólitas.
Ele fere, mas não mata. Ajuda a encontrar.

Rio de meu estado pueril, invento coisas para fazer, ocupo-me, torno-me sem tempo.
Mudo os móveis de lugar, guardo os porta-retratos, desligo o áudio daquela música preferida.
Encho-me de dúvidas hesitativas.
Anoto no papel alguns de seus vestígios, que nem sempre são aproveitados.
Sabendo de sua existência, bom mesmo é respeitar sua sofreguice.

Depois isso tudo vai, assim como veio.
A diferença é o que deixa.
Algumas músicas compostas, poemas repletos de palavras urgêntes, o óbvio, o ócio.
Já é hora de voltar os porta-retratos aos seus lugares, apartar-se das dúvidas, quebrar o silêncio, escutar aquela canção.

Olhos nos olhos.

O que pensarás, se de repente, entre as minhas canções preferidas, aquela letra que tanto lembra você, eu preferir não mais cantar?
O que pensarás, quando perceberes que aquela dor já não é mais dor…
E que, aquele sorriso que tanto admiravas quando te sorria, hoje busca outra razão pra sorrir?
O que será que vais pensar, quando descobrires que dos meus sonhos, aqueles sonhos, tu  já não faz parte?
O que pensarás, quando me veres?
Me encontrarás inteira.
O que pensarás, quando souberes que o meus olhos já não buscam uma razão para chorar; antes se apronta para um outro olhar?
O que pensarás, quando me pedindo para ficar, escutares: Aqui já não é o meu lugar?
O que pensarás, quando ao olhares para mim, perceberes que aquele peito, ora tão dilacerado, já busca um outro coração para amar?
O que pensarásr?
Inspirado na canção de Chico Buarque.

O que pensarás, se de repente, entre as minhas canções preferidas, aquela letra que tanto lembra você, eu preferir não mais cantar?

O que pensarás, quando perceberes que aquela dor já não é mais dor…

E que, aquele sorriso que tanto admiravas quando te sorria, hoje busca outra razão para sorrir?

O que pensarás, quando descobrires que dos meus sonhos, aqueles sonhos, tu  já nem sequer parte faz?

O que pensarás, quando me veres?

Me encontrarás inteira.

O que pensarás, quando souberes que os  meus olhos já não buscam uma razão para chorar; antes se apronta para um outro olhar?

O que pensarás, quando me pedindo para ficar, escutares: Aqui já não é o meu lugar?

O que pensarás, quando ao olhares para mim, perceberes que aquele peito, ora tão dilacerado, já busca um outro coração para amar?

O que pensarás?

Inspirado na canção de Chico Buarque – Olhos nos Olhos.