Eu, você…

Sonhos, são pequenos cenários de lugares onde desejamos, ou imaginamos estar.
Quando te dei meus sonhos, planejei e desejei estar com você nesse cenário, para viver parte desses sonhos e com você inventar o restante.
Inventar com as cores, sabores e os sons que só existem quando você está bem pertinho.
Hoje encontrei seu nome em um desses pequenos cenários.
Faltava a cor, o sabor e o som.

Me perguntei, por fim: Para onde será que levam os sonhos que não podemos mais sonhar?

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Certas coisas…

Pede um café e procura sentar-se sempre no mesmo lugar.

Deve apreciar essa vista, esse cenário, essa avenida…

Fala-me de sua nova leitura, cita Goethe em nossas longas conversas…

Observo, minuciosamente e sem que você perceba o seu sorriso enquanto fala e gesticula…

Você, maduro, que sempre sabe o que dizer e como me dizer.

Você, que é invulgar. Sempre resoluto, sempre genuíno.

Onde esteve todos esses anos enquanto eu planejava ser feliz?

Telhados de Paris.

Aproximou-se do aparelho de som e gentilmente selecionou: Charles Aznavour- La Bohéme.

O relógio no canto da parede, apontava: quinze para as cinco da tarde. A chuva que caía lá fora enfeitava o céu e os vidros da janela, em um singular ballet.

Segurou-a pelos braços e lhe disse, olhando-a fixamente nos olhos: “Apaixonarme-ia por você nesse, ou em qualquer outro continente.” Pronunciava essas e outras doces palavras, enquanto à beijava, apaixonadamente.

Sobre a visita.

 
O vizinho, aturdido pela falta do barulho avassalador, procurou-me ainda por essa madrugada.
Reclamou.
Disse não gostar da ausência do tresvario, da música alta, dos poemas intermitentes, dos suspiros enlouquentes, da lua, da chuva, do vinho, de nós dois.
Perdeu a calma.
Eu lhe respondi que faltava  inspiração.
Mas prometi que não tardava chegar.
Ele, em sua avidez, prometeu esperar.

Passa.

Hoje não estou para ninguém. É melhor.
A sós com o silêncio, que não propõe solidão; um tênue vazio, camuflado por questões insólitas.
Ele fere, mas não mata. Ajuda a encontrar.

Rio de meu estado pueril, invento coisas para fazer, ocupo-me, torno-me sem tempo.
Mudo os móveis de lugar, guardo os porta-retratos, desligo o áudio daquela música preferida.
Encho-me de dúvidas hesitativas.
Anoto no papel alguns de seus vestígios, que nem sempre são aproveitados.
Sabendo de sua existência, bom mesmo é respeitar sua sofreguice.

Depois isso tudo vai, assim como veio.
A diferença é o que deixa.
Algumas músicas compostas, poemas repletos de palavras urgêntes, o óbvio, o ócio.
Já é hora de voltar os porta-retratos aos seus lugares, apartar-se das dúvidas, quebrar o silêncio, escutar aquela canção.

Violoncelle seul…

Já era tarde, mas ainda havia um compromisso à cumprir. Todavia não acabara!

Amigo leitor, que a ordem dos fatos e fatores descritos nesse texto, não o faça desdenhar da intensidade composta nessas singelas linhas.

Seguramente te digo, caro leitor, que em se tratando de atrasos e pontualidades, sempre haverá o que esperar. E até surpreender-se!
Evidentemente, e muito infelizmente, se tratavam de exceções. Pois, que houvessem mais exceções que fatos corriqueiros.
 

Se eu pudesse comparar, ou tão somente descrever, eu diria que a sensação que tive ao ouvi-lo, remeteu-me à viajar pelas quatro estações. (desta maneira penso que Vivaldi se comprazeu de tamanha e singular inspiração.) Grande Vivaldi!

Começava com a tamanha força de Heitor Villa Lobos e o Prelúdio de sua Bachiana número quatro. Forte e bonita.

– Ora, ponha-se à tocar!

– (Sorriu)

Executava-a com grande expressão! E alí, eu começava a compor; Primavera!

Eram as primeiras linhas desse texto, hora ainda não descrito com papel e caneta. E para quê serviriam?

Finda Setembro, exuberantemente inicia-se a estação das flores. Quanta Beleza!

Mas como na música nada é composto por reticências, breve foi o anuncio do fim; Chegara a barra final da partitura…

Um silêncio ecoou… Um breve comentário acompanhado por um suspiro; leve e lento:

– Que lindo!

Logo depois  iniciava a segunda; tão gentilmente executada como resposta à um pedido meu. Prelúdio da Suite número um de Bach…

Executou-a! Iniciava então a magnifica manhã de Verão. Indescritivelmente bela. Um ápice de gratidão por um momento único e excepcional.

Há alí, naquele céu azul, muito mais do que eu pude ver!

– Que mais há aí? Perguntei. Não me lembro se antes ou depois da Sarabande… Que diferença faz esse detalhe?

Quanta diferença há nos detalhes!

Inverno! Não havia frio, era a compostura dos belíssimos casacos e sobretudos, vento nos cabelos, chocolates e vinhos! Quanta beleza há no Inverno!

Uma pausa para o final; e uma confissão:

– Poderia escrever agora! ( E o fiz!)

– Já é tarde, não é? Uma pena, uma pena!

Voltei pisando em nuvens;

Nuvens de Outono.

http://www.youtube.com/watch?v=VhcjeZ3o5us

Olhos nos olhos.

O que pensarás, se de repente, entre as minhas canções preferidas, aquela letra que tanto lembra você, eu preferir não mais cantar?
O que pensarás, quando perceberes que aquela dor já não é mais dor…
E que, aquele sorriso que tanto admiravas quando te sorria, hoje busca outra razão pra sorrir?
O que será que vais pensar, quando descobrires que dos meus sonhos, aqueles sonhos, tu  já não faz parte?
O que pensarás, quando me veres?
Me encontrarás inteira.
O que pensarás, quando souberes que o meus olhos já não buscam uma razão para chorar; antes se apronta para um outro olhar?
O que pensarás, quando me pedindo para ficar, escutares: Aqui já não é o meu lugar?
O que pensarás, quando ao olhares para mim, perceberes que aquele peito, ora tão dilacerado, já busca um outro coração para amar?
O que pensarásr?
Inspirado na canção de Chico Buarque.

O que pensarás, se de repente, entre as minhas canções preferidas, aquela letra que tanto lembra você, eu preferir não mais cantar?

O que pensarás, quando perceberes que aquela dor já não é mais dor…

E que, aquele sorriso que tanto admiravas quando te sorria, hoje busca outra razão para sorrir?

O que pensarás, quando descobrires que dos meus sonhos, aqueles sonhos, tu  já nem sequer parte faz?

O que pensarás, quando me veres?

Me encontrarás inteira.

O que pensarás, quando souberes que os  meus olhos já não buscam uma razão para chorar; antes se apronta para um outro olhar?

O que pensarás, quando me pedindo para ficar, escutares: Aqui já não é o meu lugar?

O que pensarás, quando ao olhares para mim, perceberes que aquele peito, ora tão dilacerado, já busca um outro coração para amar?

O que pensarás?

Inspirado na canção de Chico Buarque – Olhos nos Olhos.

 

Silêncio! Alguém não quer falar.

Ecoa pelas madrugadas, o grito oculto de um silêncio incômodo. Está dentro, e se cala.
Respostas sem perguntas e perguntas sem respostas.
O óbvio estendido e aprisionado pela ausência da fala.
Mostra-se oculto; quase inerte!
Não tem som e não vê.
Deixa-se abraçar pela fantasia; oculta-se pelo que diz conhecer.
Não vê.

Vaga pela madrugada o som escancarado das palavras retidas.
Perguntas com respostas, respostas sem palavras.
O óbvio é estendido; mostra-se liberto pela ausência da fala.
Mostra-se ao ocultar-se. Escuta-se por conjecturas.
Não tem som, mas é possível ouvir.
Deixa-se abraçar pelo que realmente quer. Desconsidera o que conheceu.
Vê.

 

Sobre o tempo, e as lembranças.

É  maravilhoso  saber  que o tempo não apaga as doces sensações de recordações que trazemos conosco, ao longo de nossa vida.

Como era de costume  em uma sexta-feira, fui à sua casa. Passamos no mercado, compramos alguns  chocolates, e seguimos para o quarto da Elaine.

Era lá que sempre escutávamos em alto e bom som, todos aqueles cds, e dançávamos e cantávamos de frente à um espelho:  La Vie en Rose, C’est si bon, You oughta know, Ironic,  Otherside,  Linger, Tomber la Chemise,  Motivés, Nekwni s Warrach n Lezzayer, Making Out, In My Head, With Arms Wide Open, Dido.

Todas as nossas confidências de amores, sabores e flores.

Teatros, feiras, exposições, palestras. Interesse no que  fosse em outro idioma, análise à linguagem corporal, filosofia e música. E era em um diário que sempre escreviamos tudo  e depois narrávamos uma para a outra, com todos aqueles textos cheios de sátira e sempre muito bem escritos.

Pois, bem! Sentamos alí na cozinha de sua avó. Já era bem tarde e no meio de uma risada e outra, começamos a fazer alguns planos para o futuro. Fizemos uma listinha e alí colocamos algumas de nossas metas; o que desejariamos alcançar ao longo dos próximos anos.

Em um de nossos encontros, que hoje  já não são tão frequentes como antes, porém sempre prazerosos, recordamos esse momento e as coisas que foram alcançadas, segundo àquela singela e de grande valia, lista de desejos…

Sabe, ainda não consegui cumpri-la em seus ricos detalhes, mas lembro-me dela diáriamente, embora não quisesse tê-la feito e tenha tentado fugir daquela escrita, naquela noite.

O que sei é que a Fórmula certa nós agora possuímos. É ela que nos levará à diante para a realização completa dessa lista. Digo, porém, com toda certeza, que essa Fórmula é o bem mais importante que constava naquelas linhas.

Sei que esses encontros esporádicos são muito esporádicos. Mas sei também que é além desses encontros esporádicos que nos acompanhamos diariamente, seja por pensamento, orações ou tão somente uma doce lembrança.

Muito obrigada, querida, por ser quem é; tão representativa em minha vida. E obrigada por me lembrar quem sou. Logo nos encontraremos outra vez, e como sempre foi, nos olharemos sorrindo, e mais uma vez vamos poder sentir quão abençoada é essa preciosa amizade.

Agradeço à Deus por essa amizade e por tê-la preparado em seus minuciosos detalhes.

Amo você, meu bem.

Natalie C.